Lê. Faz-te mal.

  • Lego Storm Trooper walking in the desert
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    Inteiro

    Existes no que em mim falta, no que em mim carece de razão para te amar, num ser corpóreo e táctil, de onde exala teu corpo abstrato, acometido ao céu, ocupando todo o espaço do firmamento da imaginação, planeta orbitando a mais pequena estrela do teu olhar… Lânguido, firme, despojado de voz que se oiça para lá da do ego, […] More

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  • mão difusa
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    Salvação

    Perante os olhos secos de ver o tempo em arco-íris de gasolina na estrada, espelha-se o mundo nos dias que escorrem vertiginosos de si. Das mesmas pernas, dos mesmos peitos. Das mesmas mãos arrojadas em prece ao altar do espelho gravítico, ao templo da solidão, aos recantos dos desejos repletos de vazio. Cegos pelo brilho tracejante da velocidade do pensamento […] More

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  • Coração feito de pétalas
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    De coração gelado

    Naquele tempo, em que as rosas podiam ter todas as cores menos vermelho, em que todos os caminhos iam dar ao mesmo local, em que o sentido das palavras se multiplicava como folhas de relva nos campos que se estendiam ao infinito, ele caminhava em direção a estar perdido. O mundo seguia, alheio à sua existência, contando as cores das […] More

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  • Homem deitado no chão
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    Por não ser sendo

    (Uma vez mais, põe tu as putas das vírgulas) Sentado frente a um mar imaginário sem horizonte que o ligue e separe do céu azul cereja de um entardecer cénico como se este pertencesse a um mundo que ali se pinta e sem que dele faça parte do todo ou sequer de coisa alguma Feito de nada mais que memórias […] More

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  • Criança em piscina
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    Caro Fantasista

    Caro fantasistaDá-nos um baileQue nos deixe a vistaEnvolta em negro xaile Que torne fácil a vidaE doce a dor de a viverFaz do tempo da despedidaO melhor que pode acontecer Caro fantasistaCanta-nos uma cançãoQue nos coloque na pistaDe viver desprovidos de razão Canção que seja só respostasSem tempo para se perguntarQue a pesada dor nas costasSeja o teu penoso trovar […] More

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  • Vista sobre o mar
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    Limites

    Traçavamos aqui o limite ocidental e metafísico do nosso mundo de férias nos anos entre o fim da infância e os primeiros anos da juventude. Para lá da pedra, enorme e atávica, visível assim apenas na baixa-mar das marés vivas de setembro, estava muito mais que o imenso oceano azul. Estava o intangível, o limite da aventura, da imaginação e […] More

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  • Rosto de homem idoso
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    O Homem de metal

    2025 – versão estendida Conto incluído no tomo II da coletânea “Porto – Uma Cidade com Alma”, publicado pela Chiado Books. Havia um homem que percorria a baixa da cidade de Bíblia na mão. Começava sempre no adro da igreja da Trindade, onde três vezes se benzia e três vezes vociferava contra deus. Completo o ritual, metia à rua do […] More

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  • Mãos ensanguentadas com vidro quebrado
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    Cortar

    Giro comoO desgosto te apanhaDevagar como Uma carícia que arranhaSem sentires a dorQue lentamente se entranha No lugar onde tinhas amorNasce um fel que corróiAté voares como um condor — No profundo céu onde te exilas — e arrogância da dor destilas O primeiro golpe não dóiA indiferença não te vai magoarO riso dos outros não te destrói Prossegues sempre […] More

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  • Polvo
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    Polvos

    Rapaz, apanhava polvos nas pedras expostas pela maré baixa. Munido de uma vara feita por mim, com três ou quatro metros de comprimento, de acácia, toda ela descascada e alisada à mão. Numa das pontas, quatro anzóis grandes, equidistantes, apontados para a ponta oposta e ligeiramente angulados para a esquerda. Completava o instrumento, o isco, com duas sardinhas bem gordas, […] More

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  • Flores cor-de-laranja
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    Sobre a lentidão

    Pode argumentar-se que as velocíssimas sociedades ocidentais apreciam, ainda que sem o desejar verdadeiramente, o passo lento dos estados e das coisas que se apresentam a um ritmo tal que permite escrutinar, ou ser escrutinado, de uma forma global, ponderada, reflexiva e completa. Ou seja, onde a percepção e usufruto desses estados ou coisas, advenha, em primeiro lugar, da possibilidade […] More

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  • pelo buraco da gruta
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    Sobre cientistas e sábios

    Há o que pertence ao universo, a uma realidade cósmica e absoluta, na consistência das suas leis, na imparcialidade da sua razão e na objetividade da sua aplicação — e há depois o que pertence aos homens, à realidade de cada um e às dinâmicas que os ligam. Se o que pertence ao primeiro, ainda que elegante, abrangente e primevo, […] More

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  • O leopardo não é mau, mas tememo-lo.
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    Grrr outra vez

    Zé está sentado no sofá. Fica triste por ver nas notícias o elevado risco que um homem tem ao tentar arranjar comida para a família de ser alvejado e muda de canal. Ana faz beicinho ao ver as crianças emaciadas e cadavéricas e passa o polegar para cima. André passa na rua e, ao sentir um nó na garganta perante […] More

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  • árvores mortas
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    Brrrr

    Fica só e frio o ser que clamaMudo o toque que lhe adorneA vida vazia e sem chama Frio de frieza fria e disformePor viver exilado entre a genteSem abraço que o enforme Dizer de si próprio contenteQuando lhe chove no serE ter por ruidosa a mente E dos próximos se perderPor se sentir debaixo da móSentindo a vontade desfazer […] More

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  • Francesca Albanese. Foto: www.heute.at.
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    Nobel Peace prize for Francesca Albanese and Gaza Doctors

    It’s time to choose. Who would you like to see receive the Nobel Peace Prize? I know it’s difficult to choose between a woman waging an unequal fight in defense of a people or a despicable psychopath, insensitive to anything but self-interest. Personally, I’ve made my choice. Make yours. Do something. Act with the weapons you have. More

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  • Mãos pegam em laranja
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    Sobre o fardo de pensar

    Do fardo de pensar me quero libertar, pois dele me desprender faz-me perenecer*. Ser árvore milenar que existe sem remar, o rio da idade num ser sem identidade. Se penso não existo, porque pensando a vida, o caminho trilhado pelo pensamento remete para a insignificância do ser ao ver-se a vida como unicamente imaginada, num sonho cósmico, sem significado ou […] More

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  • Um cão andaluz ma praia
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    Encontro com um Cão andaluz

    Señor Buñuel; Señor Dali, Há dias em que me sinto um cão andaluz. O verão, o cheiro a fim de festa, a temperatura, e dou por mim deitado na praia, em frente a um mar que nada me diz. Aí vejo passar pessoas, ondas e gaivotas com igual desinteresse. Apenas se uma leva na mão um pão com chouriço ou […] More

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