Sombra de estores em parede
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Sobre o dia que nasce

É dia, mas não ainda para mim
Lá fora correm luz, sons e pessoas
Actantes do que faz um dia, dia

O sol desperto, espelha-se no mar, em distanciamento lento
As flores dançam, animadas pela musicalidade da brisa
Os pássaros há horas que deixaram de cantar

Uma nesga de dia penetra, feliz, o quarto
Este mundo, suspenso, é puxado para o de lá de fora
Lentamente, toca insidioso, como se a luz de que é feito fosse

Cócegas, carícias pueris, de meiguice trôpega
Resisto o mais que posso ao seu assalto de gatinho terno
Porque sei que em breve me junto a ele, e deixo-o

Aves em mangal seco

Fosse eu…

Patinhos pastando

Sobre sonhar (53)