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  • Memória
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    Memória / Persistência

    Passadas lá atrásAs passadas que guiaste guiadoPelas passadas passagensQue te trouxeram aqui Só Mas sempre acompanhadoPelos passos dos que em tiPassaram ePassandoDeixaram as marcas dos passosQue passarás a quem para ti olhar Quando já fores passado Mais

  • Rapariga triste
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    CVC (Caixa de Variação Contínua)

    – Porque fizeste isto? Cai a pergunta como um insulto àquele a quem dói a resposta que não quer dar a si próprio. A constatação fria do seu fracasso na forma de uma lição nunca aprendida, de uma confissão nunca feita, de uma culpa nunca assumida. Aço frio encostado ao pescoço, murro no estômago depois do almoço, pontapé na boca […] Mais

  • 30 na estrada
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    30 (trinta)

    Sinto que o nosso amor não nasceu, tendo apenas surgido quando, do nada, tudo se fez e os nossos átomos, dispersos pelas galáxias, se tivessem buscado pelo tempo e pelo espaço até ao que somos nesta nossa vida única e irrepetível. A memória dessa incomensurável proximidade está em mim e no desejo de te ter por perto, de sentir os […] Mais

  • Feto verde e seco
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    Interbellum

    Paira uma sombra no mundoUma sombra cheia de passadoEcoando o nada negro fecundoNo esquecido presente alienado São os sinais que se repetemDe caminhos outrora pisadosBanalidades que intrometemA vida arco-íris dos alheados Caminha a sua própria solidãoO homem agora empobrecidoE a mulher confiada à devoçãoDo que para si terá já perdido Dana-se o jovem sem futuroDana-se o de futuro roubadoNo altar […] Mais

  • opulência
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    Avenida de Isabel dos Santos

    Não sejas parvo. Este é, claramente(?) um exercício de ficção. Foi em ambiente de pompa que o ministro do Trabalho e Segurança Interna, José Manuel Ventura, rebatizou a Avenida da Associação Empresarial de Portugal (ou Avenida AEP), como Avenida de Isabel dos Santos, empresária de alcance internacional, investidora sustentável e forte contribuidora para o sucesso económico de Portugal. A avenida […] Mais

  • João de Chagas (http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt)
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    Praça Arco-íris

    Não sejas parvo. Este é, claramente(?) um exercício de ficção. Foi num ambiente de festa e tolerância de género que na quinta-feira passada pelas 23:30 se procedeu à inauguração da renovada Praça Arco-íris, antigo Jardim de João Chagas, primeiro Presidente do Conselho de Ministros da República Portuguesa (atual Primeiro Ministro) e commumente conhecida pelos portuenses por Jardim da Cordoaria. O […] Mais

  • UKRAINE. Kiev. 2019. The Peoples' Friendship Arch
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    Praça do Revisionismo Iluminado

    Não sejas parvo. Este é, claramente(?) um exercício de ficção. Praça do Revisionismo Iluminado, é este o novo nome da antiga Praça do Império, após aprovação unânime em sessão de Câmara. O projeto foi apresentado por um grupo de cidadãos portuenses com ligações históricas aos continentes africano e sul-americano. “Trata-se de uma reparação há muito pedida”, afirmou Josinaldo Ráudinei, historiador […] Mais

  • Homem em pavilhão
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    A MetaIgreja de Cedofeita

    Não sejas parvo. Este é, claramente(?) um exercício de ficção. Foi por entre gritos de júbilo que a população da cidade do Porto, empunhando os símbolos aprovados pela MetaIgreja, assistiu e tomou parte da consagração, à MetaIgreja, do antigo edifício pertencente à Igreja Católica, e entretanto restaurado, na Rua de Cedofeita. Membros destacados desta rede religiosa, tanto nacionais como globais, […] Mais

  • Avenida dos Aliados
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    Avenida da Derrota da Vergonha

    Não sejas parvo. Este é, claramente(?) um exercício de ficção. A Avenida da Derrota da Vergonha, antiga Av. da Liberdade, está sempre engalanada para lembrar os que vivem na cidade e os muitos que por ela passam que tempos houve em a vergonha grassava no país. Grossos pendões negros, alternando a ouro as siglas AV e CH, adornam os edifícios […] Mais

  • Pedro e estátua de A Silva
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    Barca d’Alva

    Saio do carro, calor adentro, cansado e plácido perante a perspectiva do Douro à minha frente. Quando dou conta, estás sentado atrás de mim. Sereno, de mão no peito, como que gravando na memória esta paisagem que quiseste por única posse. Choro por te ver, por me lembrar que te esqueço no dia-a-dia. A tua simplicidade avassaladora no destronar do […] Mais

  • Phyllis and Demophoon
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    Fala-MeDaTuaVida

    Fala-me da tua vida, atiras tu despreocupadamente, enquanto te recostas na cadeira e sorves um golo de chá gelado. Poderia responder-te de imediato, como sempre desejei, a estilo de fuga, entre o humor e o inconsequente. Tivesses perguntado “o que fazes?” E teria respondido, assim, sem pensar, “faço ginástica. Três vezes por semana”. E complementaria o seu sorriso surpreendido com, […] Mais

  • Flores silvestres num passeio
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    Flores

    Gosto das pequenas flores silvestres que pululam as nossas vidas sem disso dar-mos conta. Gosto das brancas, amarelas, vermelhas, lilases; com verdes caules; sós ou aos molhos e que estão por todo o lado. Gosto das que crescem na beira da estrada, nas bermas, bordejando os lambris ou brotando das fendas dos muros e das rachas nos passeios. As flores […] Mais

  • Tablet e planta
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    Finalidade

    Passa a torrente apaixonada do ímpeto E nada mais fica no ecrã de luz branca Que o poema ditado pelo passageiro Incomodado por ser irremediavelmente Um triste narcisista sem reflexo que se olhe Lhe segure a mão e lhe dê o alento Necessário para não ter de se perguntar: Para que servem essas palavras? Quem as tomará para si? O […] Mais

  • Busto de perfil
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    PSFB

    Nada sinto em mim até ao momento em que o escrevo. Não existo até à hora em que a minha vida é transposta em palavras, visível apenas num reflexo de contornos difusos, entrevista nos espaços deixados pelas palavras na negra mancha de texto. Como se tudo o que sou: Fosse o sol conhecido pelo calor que deixou na areia da […] Mais

  • pelo buraco da gruta
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    Pela frente o mar; por trás o sol

    Mar Gosto quando o mundo não é mais que mar e vento. A t-shirt a ondular por cima do umbigo arrepiado, a sombra espraiada na areia à minha frente, alheia a todo o sol da manhã. Gosto das ondas brancas pela frente, em contínuo murmúrio do nada que se torna em tudo naquele momento à beira-mar. Gosto do doce rugido […] Mais

  • Cadeira em armazém abandonado
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    Sentado

    Sentado : Sentou-se, como fazia desde que se lembrava, na cadeira no centro mais soalheiro do armazém devoluto. Era um armazém estranho. Nos andares superiores de um arranha-céu que, por ter as fachadas envidraçadas, mostrava mais do mundo que de si, altaneiro e triste como um castelo desarmado, tinha janelas por paredes sem ameias que enchiam de luz fria o […] Mais

  • árvore de natal desfocada
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    Urbi et Orbi

    Pela manhã do dia de Natal, os nossos tios maternos, como bons homens portugueses, nada tinham para fazer. O trabalho de limpar o que ficara da ceia da véspera e preparar a refeição seguinte, faustosa aos olhos dos pobres que éramos, recaía sobre as nossas tias, reunidas em casa da nossa avó. Nos anos em que, por circunstâncias e opções […] Mais

  • Crânio e flor
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    Ser ou não ser

    Ser ou não serEis a questãoDo amanhecerAo limite da solidão Do sono que esqueceÀ saga nua que viveuSe fasciculada saísseDas páginas intoxicadas da Orpheu Se é porque respiraOu se detém de razãoSe termina em grossa piraOu se transcende o coração Se começará a vidaNo primeiro dia do serOu estará adormecidaAté ao dia de morrer A questão não é maisQue a […] Mais

  • Shopping
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    Do que não é

    É um lugar despido de humanidade, como aqueles que enganam os sentidos, emanando calor falso, exalando promessas etéreas de remorso revestido a felicidade. É um lugar projectado das luzes coloridas (agora de frio díodo) e de enxames de frases vazias afixadas no que sobra do eu, do tu enquanto apêndice do eu, da perene necessidade de escapar ao oco da […] Mais

  • Universo
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    Confinado ao universo

    Tão presa à vidaA alma é solidãoPor se ver contidaNa negra vastidão Tivesse eu algemasFosse esta a prisãoCercado por barrasA que deitar a mão Fosse o meu olharPor barreira obstadoE sonharia escaparA viver vedado Levantasse o véuComo por esmolaVeria também euO céu que consola Eis-me tão confinadoCercado de horizonteDe infinito aprisionado Onde me sinto a monteQual bandido renegadoPerseguido mas insonte Mais

  • Silhuetas em palco
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    Hamlet

    Paira sobre ti uma complexa simplicidadeComo se o que sabes não olhasse ao que és Habitas o tempo das cavernas celestiaisEnraizadas nas memórias de primatas oblíquosCego pelo deslumbre da pertença a um clube que criasteE ao qual nunca foste admitido Exalas das páginas de uma história míticaIndistinta e monocórdicaUma magnificência académicaDespojada de vida própria Partilhas uma realidadeQue constróis e na […] Mais

  • fotos instantâneas
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    De ti

    Invade-me a memória da tua pele na minha pele, dos meus lábios perdidos no teu pescoço, do mar cantado no teu cabelo que voa e soa a jugo de liberdade, à doce rendição de nos trazer comigo, sempre e a toda a hora. Estás em mim como nas vidas que criamos; lançadas à vida, tão livres e autênticas, como o […] Mais

  • lago de montanha invertido
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    Apenas azul

    Vejo-te ao longe, como num sonho. Daqueles onde navego ao sabor de brisas carinhosas, com nuvens de arranha-céus invertidos, bases perdidas na distância das alturas, pendurados como fitas de papel, na manhã de um arraial esquecido. O som é fresco, emanando de águas invisíveis, agitadas por pagaias imponderáveis e líquidas. O ar corta-se a trinados de melros distantes, esquecidos na […] Mais

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