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  • Máquinas de guerra de Leonardo DaVinci
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    Ceifeira de Guerra

    Por olhar para a Ceifeira de Guerra de Leonardo da Vinci. A guerra é espantoA fome, purificadoraA ditadura, harmoniosaE deus, esse, está morto Morto ele, morto por eleTão morto que viveDe tão vivo que morreMorro sem morte O cordeiro mostra os dentesO íbis exibe as garrasDeus revela a negra fauceO tirano adormece crianças Perante todos […] Mais

  • villain / vilão
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    beija-me

    beija-me uma vezbeija-me setebeija-me setenta vezesvezes sete que te beijo uma vezte beijo setebeijo-te setenta vezesvezes sete amor que nunca esqueceo beijo mais fecundoque só ao amor obedecesete vezes, vezes o mundo um edifício mental, construído para reforçar a confusão e manter viva a chama Mais

  • villain / vilão
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    Canção (de Fernando Pessoa)

    Silfos ou gnomos tocam?… Roçam nos pinheirais Sombras e bafos leves De ritmos musicais. Ondulam como em voltas De estradas não sei onde Ou como alguém que entre árvores Ora se mostra ou esconde. Forma longínqua e incerta Do que eu nunca terei… Mal oiço e quase choro. Por que choro não sei. Tão tênue […] Mais

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    O sonho

    Vi-te morta.Estava a dormir.Foi em sonho,Mas não importa. Apertou-se-me o peito ao sentir a tua pele fria;O teu suave respirar que já não existia.Estava a dormir e não sabia se eras tu ou o teu amor que morria. Vejo-te prostrada, esventrada.E a faca ensanguentada,Diz-me que estás morta. Sei que a meu lado respiras.Que posso ver […] Mais

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    Bater

    Que bom ser mau,Sacripanta, vilão.Andar na rua de pau,Sevandija, ladrão. Ver um gato e lhe meterUm pontapé e vê-lo voar.Deixa-lo a sofrer,Com a boca a sangrar. Pôr o trabalho de lado,E o sentido esquecer.Deixar o amigo especado,Manda-lo… Viver irresponsável e intensamente existir, sóAo mundo fechar a mente e o coraçãoPara ser um monstro e não […] Mais

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    Acordar

    Acordei e não era amanhã. Abri os olhos e não havia mais nada.Custa levantar se a viagem é truncada.Para quê comer se logo vamos morrer?Para quê ler se logo o vamos esquecer?Deixar legado,Seguir o pregado.Tudo vão, tudo triste,Quando mais nada existe. Abro os olhos e tudo vejo,Matéria, memórias, desejo.É o amanhã reencontrado,Ao ontem abraçado.Perdi o […] Mais

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    Deuses das coisas pequenas

    Na ânsia de compreender e sossegar, criamos deuses como resposta às grandes dúvidas, aos grandes tormentos, à enorme pena que é a existência. Tão bem os criamos para tão grandes tarefas e tão bem os aceitamos que somos agora sua grande criação, complacentes perante o seu juízo e critério, justificados na sua existência. Os deuses […] Mais

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    Vila Nova de Milfontes

    Num dia bom. por hoje é tudo. um edifício mental, construído para reforçar a confusão e manter viva a chama Mais

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    Hoje apeteceu-me

    Hoje apeteceu-me colar-me à cadeiraAuto-estrada, 60 70, terceiraPassa um, 90 100, quartaPassa-os a todos, 120 130, quinta Acelerar, tirar o cinto e Ligar o cruzeiroAbrir os braços e do carro, voar para foraDescolar suavemente como um veleiroVer a estrada toda e ir-me embora Aumentar, crescerVer a cidade, passar os dedos pelas ruasMergulhar no mar de […] Mais

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    77

    Há uma fúria silenciosa que me quer dominar;Há uma vibrante melancolia que me fascina;Há um desejo permanente de abandonarA linha das convenções. É o abismo da ponte que me chama;É o combóio veloz que me suga a alma;É a recta e é a curva que me desafiam.E se eu saltar; e se eu me atirar; […] Mais

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    Desculpa, mas…

    Podia jurar que te vi chorarPodia jurar que foi por te amar Não me vi chorar nem poderiaPorque a minh’alma ficou fria Se por amar te faço chorarSe por amar a alma me gelarVou amar-te mais, tudo que puderTudo o que o teu corpo quiserTudo que a tua alma abraçarPara não mais te ver chorar […] Mais

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    Quem sou eu?

    Foi então que parti à procuraDe segurança e sabedoriaTremendo ao sentir a’marguraQue a nova ignorância trazia Mas que mente esta que torturaQue martela a todos os momentosQue pinta de amena loucuraOs mais inocentes sentimentos Mas quem sou eu afinalQue jovem já não souSe o corpo dói e passa malDo tempo que por ele passou Quem […] Mais

  • villain / vilão
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    O início de Tudo

    No tempo em que nada haviaNem mesmo tempo que se contasseVogava Deus como bem queriaSem pouco que a incomodasse Olhava com olhos que não tinhaPara o que inda não criaraE grande tristez’à mente vinhaPor tudo quanto não se passara E vendo já negro o fimDo que não começaraArriscou mesmo assimFrase que se exara: FAÇA-SE LUZ!E […] Mais

  • villain / vilão
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    O homem pequenino

    O homem pequenino olha com cara de mau. Tem aquele olhar desconfiado de quem julga que estão sempre a falar dele. Olha para os outros como se lhes fosse às trombas. O homem pequenino só sabe falar de carros ou de gajas. Quando não são gajas, são carros. Pode ser um doutor, um engenheiro. Pode […] Mais

  • Duas canecas
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    Hoje acordei com vontade de me levantar

    Ao sentir-me desperto,Acelerado pela luz que em mim entrava vinda da janela cuja persiana ficou em enrolado esquecimento,Cresceu em mim uma vontade tumescente que me impelia para longe daquela doçura que é o conforto absoluto de uma cama dormidinha,Onde a noite termina com um resignado regresso à vida. Agarrei-me a ela e para ela me […] Mais

  • Parede com grafiti
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    Mais vale escrever do que viver

    “Mais vale escrever do que viver, ainda que viver não seja mais que comprar bananas ao sol, enquanto o sol dura e há bananas para vender.” (Fernando Pessoa) O escritor, o poeta, é o que numa frase, cose toda uma vida. Ah, Fernando, que saudades tenho de beber uma ginja contigo; cotovelos opostos (porque és […] Mais

  • Parede com grafiti
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    Segurando ao colo as cinzas do que foi o colo do pai

    Segurando ao colo as cinzas do que foi o colo do paiOlho as roseiras aos pés; pequenos caules de verde espinhoso e rosa promissor e grandeTento não pisar as roseirasTento não pisar as memóriasNa ponte o comboio leva para lá do rio a memória de ser filho; A roseira aos pés desponta para as memórias […] Mais

  • Parede com grafiti
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    A cidade

    A minha cidade está vazia Como uma casa de pedra Que de tão vivida ficou fria Uma ínfima sombra medra Um peneireiro voa na VCI Uma vinha súplica a redra O ar cheira a ficar por aqui Á’braçarmos com a alma Abraço e o beijo que perdi No encontro de quem ama Na leveza pura […] Mais

  • Parede com grafiti
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    Amor em tempos fechados

    Amar-te é hoje lembrar todos os beijos trocadosAmar-te é hoje acariciar a tua face com o olharÉ Revisitar um livro de cores, odores e saboresNo sempre cálido rio onde nos vamos banhar [e]Secar-mo-nos a panos de esperança bordados Mais

  • Ramos frondosos
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    Pudesse eu

    É domingo e, lá fora, o céu é de azul grisalhoÁrvores pastoreiam pássaros nos seus galhosVelhos, indiferentes ao seu sacrifício, circulamEu leio Pessoa e escuto, na rádio fria, ZambujoE estes versos surgem por mão um intruso sujoFarto das paredes enquanto velhos circulam É primavera e não sinto a frescura dos sons Nem as folhas verdes nem […] Mais

  • fogo suspenso
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    Dançando

    Há anos que dançamos juntosSem mais que dádiva por féAbraçados, separadosDançamos em péDançamos deitados Há anos que dançamos juntosAo ritmo do nosso amorDançamos na alegriaE dançamos na dorDançamos na euforiaDe viver dançando a florQue é uma vida que dançaDo nascimento ao estertor Mais

  • estátua grega, tronco, costas
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    o Herói

    Todos os heróis são involuntáriosSai-lhes da mão a históriaPorque ao destino são contrários Alvo de honra e memóriaPor alto erguerem a sua espadaOs cobrem de fama e glória São como vela ao vento enfunadaAríete ao destino lançadoFindo o vento mais são que nada É o vento o fado douradoQue resgata o mortal do anonimatoE seu […] Mais

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