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  • villain / vilão
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    Haiku e outros

    ECalçando folhas secasLembrou-se como era belaE comoBela era a brisa que tocou o seu coração — (1)Calças as folhasFrias aos pés colandoAmor nos passos (2)Assim te olhoNua por entre lençóisDe ondas brancas (3)Sempre que comeuO pão que o DiaboAmassou, sorriu Mais

  • Gnus atravessando rio
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    Queria ser um Gnu

    Queria ser um gnu e deitar a correr pela savana como um caribú que não tem pouso nem cama, numa vida corrida e sem chama. Ter por deus a erva e por demónio o dente, nas nuvens me guardaria Minerva, verdejando o destino à minha frente. Tantos dias, tantos anos carregados para trás e tu ainda aqui estás. Segues colada […] Mais

  • villain / vilão
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    Carta a um terrorista

    Caríssimo, Vivo numa união onde há fome, miséria, exclusão e intolerância. Vivo numa união onde ainda se matam mulheres porque “são mais fracas”; onde se fazem crianças trabalhar; onde velhos são deixados ao seu destino; onde os mais fracos são explorados por ricos e poderosos; onde os governantes se governam primeiro e governam depois. Mas, […] Mais

  • villain / vilão
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    Hoje não sou Charlie

    Nem será necessário, mas há malucos para tudo, por isso digo já que ninguém, faça o que fizer, escreva o que escrever, desenhe o que desenhar, o faz de tal forma que mereça morrer por isso. Dito isto, reafirmo que hoje e ontem e ainda amanhã, não fui, não sou e não serei Charlie. O […] Mais

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    Gostava

    Gostava de chorar de maneira glamorosa sem olhos vermelhos, nem ranho no nariz, nem olheiras. Apenas duas lágrimas brilhantes deslizando pelo rosto, morrendo nos cantos da boca sorridente. Gostava de caminhar pela areia virgem da praia de inverno sem a perturbar e gostava de passar por entre as gaivotas junto ao mar sem as perturbar […] Mais

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    Ruas

    Não deve haver rua da minha cidade por onde tenha passado pela qual não tenha passado a pé. Passei desde as ruas mais pequenas como a Rua do Porto Santo, menos de cem metros de comprido e 3 de largura, no meio do bairro da Azenha, às Rua e Avenida da Boavista, todos os seus […] Mais

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    Heróis

    Todos os heróis são involuntáriosSai-lhes da mão a históriaPorque ao destino são contrários Alvo de honra e memóriaPor alto erguerem a sua espadaOs cobrem de fama e glória São como vela ao vento enfunadaAríete ao destino lançadoFindo o vento mais são que nada É o vento o fado douradoQue resgata o mortal do anonimatoSeu destino […] Mais

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    O Guardador de Porquês

    Jacinto guardava os porquês que encontrava nas pessoas nos acontecimentos nos dias e nas noites. Dominava a magia de ver para lá do óbvio e do circunstancial apresentando-se-lhe o porquê das coisas de forma tão clara e linear como ao mago é simples agitar lenços e deles fazer surgir brancas pombas que voando espantam a […] Mais

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    O Orbitador

    A 12 de abril de 1981 o maravilhoso Eurico da Fonseca comentava o início do que seria uma das maiores aventuras e desventuras da história do século XX. Fazia-o com a solidez dum conhecimento adquirido através da perdida arte de estudar afincadamente e consolidado pela experiência e trabalho; a par, uma voz invulgarmente clara e […] Mais

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    O meu coração vive como flor

    O meu coração vive como florLonge do caldo dos dias iguaisQue me puxam para ao estertorDe repetir cenas tolas e banais É o mundo que vem de encontroAo delicado coração agitadoDá com um pau e faz escombroO que era ritmo compassado passa a ritmo fibrilhado Perde o seu vigor esta florVerga seu caule e esmorecePétalas […] Mais

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    Acordei em sonhos perfumados

    Acordei em sonhos perfumadosPor golpes de amores-perfeitosColoridos a lápis de rebuçadosNa cama dos lençóis desfeitos Era céu e era dia que tal eraO frio que fazia pintar a peleDe rebuçado qual estola beraRestolho de Animal que geme Hoje não vou fico sempre aquiQual estola de bicho rebuçadoVão-se todos e eu sempre aquiTremendo ao ver o […] Mais

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    Um dia

    Um dia, depois de todas as noites em claro e de todos os dias sem amparo.Um dia, para lá do choro, do desnorte e do ter que ser forte.Um dia, passados medos, incertezas, culpas e desculpas.Um dia, tu vais ver. Vais ouvi-lo dizer: Eu consegui; tive força e não fugi.Um dia, vais ver como se […] Mais

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    O som nada melhor que as pessoas

    O som nada melhor que as pessoas. Por isso, os dias de chuva ouvem-se melhor. São um caleidoscópio de sonoridades: os pneus dos carros assemelham-se a regatos incessantes; a água que escorre das estruturas está por todo o lado, embalando-nos num regaço lento. O sol não está cá para chatear, e isso é bom. Fosse […] Mais

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    A dúvida

    imagino que os homens temem e destratam as mulheres por nunca saberem se elas querem ser a mãe dos filhos deles ou que eles sejam os pais dos filhos delas. Mais

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    Coisas há que a escola nunca ensinará

    Nem deve. Contava-me um amigo que quando um caçador incapacita uma presa e um segundo caçador a mata, este entrega a presa ao que primeiro disparou, recebendo dele um cartucho. Este acto de cortesia um de muitos do código de conduta da caça, não poderá nunca ser ensinado na escola. Em primeiro lugar, por razoes […] Mais

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    Nada é mais triste que um céu azul

    Nada é mais triste que um céu azulAzul de ponta a ponta sem máculaQue se lhe aponte só e sempre azulNem mesmo o sol que é um crápulaEgoísta que brilha tanto que ofuscaTira tanto quanto dá e não se deixaAmar nem tocar por quem o busca É muito enfadonho o dia bom porqueAusentes mistérios para […] Mais

  • villain / vilão
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    Dormias quieta na rede

    Dormias quieta na redeanimada tão só pela brisae eu olhava para ti com a sededum sonho que de Vénus desliza Via-te tão quieta de pegar tão fácilque se me incendiou a almanão resistindo ao desejo táctiltoquei-te com a mão, só a palma Tu bela Helena e eu vibrante Párisperdida tu num sonho do dia-a-diae eu […] Mais

  • Praia e mais nada
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    Na praia III

    Sim, que foi? Nada. Quero só dar-te um beijo. Muitos. Todos os que quiseres. Beijou-a na boca, na face, no pescoço. Embrenhou-se nos cabelos dela. Tomou-lhe as medidas da cinta. Encaixou-a em si. Era a Aurora. Era mesmo ela. Como? Onde esteve? Onde está agora? Onde está a Sofia? Desculpou-se com as horas para dela […] Mais

  • villain / vilão
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    Na praia II

    A lâmina estava gasta e abespinhava-lhe a pele. Raspava, raspava; arrancava mais do que cortava. Só lá para o terceiro corte, vendo o sangue pingar no lavatório, é que percebeu que não tinha que aturar aquilo, que tinha outras lâminas, novas em folha, guardadas na gaveta. Olhava-se ao espelho e via alguém que conhecia de […] Mais

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    Na praia I

    O sol estava quente, a tostar. Deitado na esteira, esticado, braços ao longo do corpo, ligeiramente arqueados e com as palmas das mãos voltadas para cima, nada mais sentia que calor invadindo-lhe o corpo. Gotinhas de suor corriam da testa em direcção às orelhas e nelas empoçavam. Acrescentando à sensação de forno, como se voltasse […] Mais

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    Agora que aqui chegaste

    Agora que aqui chegaste, que pedes para ti? Apenas aquilo que fiz por merecer. E isso é? A recompensa pelo sacrifício, pela dádiva, pela escusa ao fácil e ao cómodo. E fizeste tudo isso para..? Para tua glória e proveito, claro. Para mais nada? Também, e sobretudo, para minha salvação. E foi isso que te […] Mais

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    sem título

    Amo este rio imensamente e não sei que fez ele para que o ame assim tanto. Quando o vejo, cruzando-o pela ponte, vindo do sul, ou pelo ar, vindo de longe, ele cintando as cidades, fico feliz e relaxado. Estou em casa. Acho que nada se faz para se ser amado. É-se e pronto, amam-nos. […] Mais

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    O fim das férias

    Sinto o cheiro da terra nas narinasPassa a tua alma dos olhos vitrinasDo tempo que fomos felizes à chuvaQuando nossa boca sabia a pão e uva Na piscina caem sem parar gotinhasMemórias que já não são as minhasCaídas do tempo antes do despertarSão histórias perdidas e por contar A luz dourada que por ela se […] Mais

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