Existes no que em mim falta, no que em mim carece de razão para te amar, num ser corpóreo e táctil, de onde exala teu corpo abstrato, acometido ao céu, ocupando todo o espaço do firmamento da imaginação, planeta orbitando a mais pequena estrela do teu olhar…
Lânguido, firme, despojado de voz que se oiça para lá da do ego, para lá da consciência e da matéria, sendo que apenas a noção de ti, de como és para lá do que vejo, de como me fazes sentir para lá do arremeço de te olhar, da voragem de me ver reflectido em ti subsiste e, dessa forma…
Fazes-me pequeno, criança que, largando os brinquedos, cresce e assim se eleva ao limite do contentamento do ser, mas sempre uma criança aconchegada no teu abraço e para sempre um homem, inteiro apenas porque se completa em ti.
Inteiro apenas porque te ama.

