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Sobre a solidão

Silhueta no horizonte


Tão só como o fogo que arde
Consumido sem partilhar
O que lhe é dado para amar


Tão só como o sol que esconde
Seu congénere mais distante
Em véu quente e ofuscante


Tão só como o velho de fronde
Larga como o desespero frio
Da foz que acolhe o seu rio


Tão só como o mundo covarde
Querendo a tudo que faz nascer
Nada mais que penar e morrer

Só, tão só como a solidão de ser livre para dizer que se ama o amor de amar alguém sem nunca o ter feito

Só, tão só como encher-se da saudade do impossível, do rosto candente das noites imaginadas como castelos na paisagem, conquistados brevemente pelas fúrias do desejo, perdidos para sempre pelo comprimento dos braços

Só, tão só como o tempo ente o tempo que fica para contar; o tempo do absoluto que sobrou da fome de ser, do estrôncio sibilante no espelho, detestado e temido, amado em segredo porque é verdadeiro e puro na sua condição

Só, tão só como o enlevo de ser uno consigo, da glória e prepotência da vontade, sem segundo nem seguintes que tolham ou comandem o ser achado nu

Só, tão só como o conforto imaginário da vivência abstraída num útero perene que satisfaz e realiza, onde ser só é ser comunhão de si, livre e completo na sua fragilidade de ser finito e irremediavelmente só

Rapariga à chuva

Sobre a impermeabilidade

Árvore estilizada

Sobre a eternidade