Textos

No fim, o amor

Please log in or register to do it.

Parágrafo. O fim de um dia muito quente trás consigo, quase em simultâneo sentimentos opostos, o alívio que chega com o baixar do sol e da temperatura e a perspectiva da noite tropical que promete fazer velar. Calor sucedendo calor, fazendo com que a brevemente fresca brisa, não passe de fímbria azul no vestido em tons laranja com que a primavera cumprimenta o verão que se adivinha vermelho. Um parágrafo, um apenas está hora ocupa, no texto opressivo que é o dia quente. Calor sucedendo calor. E no meio, como que ligando o que é idêntico, como se fosse necessário existir para que se soubesse que há dia e que há noite, e que estas coisas são ao que é cego na sua mente, coisas diversas, a hora do pôr do sol. Poderoso, olha-nos devagar, menos intolerável apenas porque se pôs de lado, envergonhando a cor, usando da sofisma de deixar a sua obra térmica espalhada pela noite que nos rouba o descanso dos lençóis. Despede-se assim com escaldante frieza, levando a que ousemos, ainda que o paguemos com a persistência da memória, olhar para ele de frente e dizer: hoje digo-te adeus; sei lá se amanhã estarás aqui para te saudar.

Novo parágrafo. Novo porque o tempo pára depois de o sol ter partido e, deixado apenas a memória quente de si, tu apareces. Docemente perdida, luminosa na multidão que, alheia, relaxa, conversa, fuma e come nos muretes, nos bancos de pedra, no que resta do relvado maltratado e sujo. O tempo torna à sua marcha, sem estoiros cósmicos, sem que ninguém mais dê conta da tua presença senão o universo que te envolve, elevando-te acima das pessoas, acima da música e acima do calor. Olho demoradamente para ti, assim linda e no tempo da sedução de seres tu. Antes mesmo de te chamar, dou-me conta que não há parágrafos que descrevam como te amo e de como, mais do que o sol, tu iluminas a minha vida.

Novo parágrafo…

O cão gordo

Reactions

0
0
0
0
0
0
Already reacted for this post.

Reactions