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Sobre a impermeabilidade

Rapariga à chuva

Deixo a cidade para trás
Embrenho-me pelo ferro que se estende
À minha frente em síncopes visuais
Desaparecendo a silêncios ritmados

Mil cavalos me puxam pelo denso do nevoeiro
Onde bois ocultos aguardam que o medo lhes
Passe pelas ventas molhadas para bufar
Fincados nos cascos e nada mais

Chora por fora o vidro que separa este mundo do outro
Ouve as conversas deste de cá de dentro
Vazias e alheadas de si e dá-as ao nevoeiro impermeável
Ao choro alheio Fino Frio Fixado no vidro duplo
Da dupla face que tudo cala menos o que se vê

Para a posteridade efémera da viagem
Reflete faces veladas por burcas da boca
Feitas reféns de exércitos de invisíveis talibãs
Onde só a hipocrisia tem o sucesso que merece

Num mundo de veladas flores de centro azul pastel e verde água
A viagem acelera e varre o choro do vidro que outros chorarão
Tantos mais quanto mais o nevoeiro os envolver em plásticos
Assépticos Estanques Vedados e Velados ao longe

Não há sol nem bocas
Apenas burcas em tons pastel
Não há esperança que se veja
Senão na promessa de vencer
O boi que bufa no nevoeiro

Homem perante universo

Sobre o céu e a terra

Silhueta no horizonte

Sobre a solidão