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Sobre a eternidade

Árvore estilizada

— E agora que és eterno, que pensas fazer?

Conhecer e compreender e saber
Ao ver firmemente o que é amar
Sorvendo a viagem como destino
De Kerouac em redondo renascer
Em apor a voz nas ondas do mar
Lançadas à inocência de menino

Ler nos olhos a vida que passa
No olhar das gerações fundidas
Que é ser Homem e Mulher e Ser
Mais do que um fogo que grassa
Na feliz voz de almas perdidas
Em caminho que não se pode ver

Buscar para sempre o propósito
Duma existência viva que perdi
De quanto eterno sou passo ser
Passado no tempo dantes finito
Rematado todo o tempo que vivi
No feio fado fadado a renascer

— E agora que és eterno, que pensas ser?

A eternidade, ao dar-me tudo, nada me deixou.
Sou entidade vazia, desligada do universo temporal e finito.
Ao tornar-me eterno, anulei-me.
Finalmente, nada.

Silhueta no horizonte

Sobre a solidão

Cartaz envelhecido

Sobre o Vírus