Cartas do Vampiro Textos

A eterna condição

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Sente-se vivo, pulsante; Sente-se feito de universo e que dele se alimenta e que dele faz parte, tal como a folha pertence à árvore, o canto ao pássaro e o amor aos enamorados; Está, na medida do que pode perceber, vivo; Reconhece tempo que não viveu, recorda tempo que por ele passa, advinha um tempo que não lhe pertencerá; Percebe-se vivo, e porque está vivo, está preso à vida que, conferindo-lhe substância, outorgando-lhe forma, o impede de ser livre; Livre para, liberto das amarras da vida, ser tudo: absoluto, intemporal, deus.

Apenas assim, desprendido do universo, se desprende do tempo, da forma e de todo e qualquer conceito, que é, por natureza, redutor; Quando não tiver forma, espírito ou presença, será sem ser, deslocar-se-á sem movimento, pesará sem massa.

Será paradoxal; Não existirá senão antes do início e depois do fim do tempo.
Será a manifestação do impossível; Será o perfume e a banda sonora do vácuo.
Será o mito: “o nada que é tudo”, mas apenas porque está preso; vivo.

Paragem

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