Poesia Textos

Renata

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Pouco depois de enterrar
No chão da sua cozinha
O maior amor da sua vida
E o universo de emoções

Que tiveram ou que viriam a ter

Fechou a casa
Ao mundo
E ao passado
Regressou

Donde não mais saiu

Das suas pernas nuas cresceram raízes
Levantando os ladrilhos da cozinha
Penetrando fundo na terra da casa
Agora morta ao mundo que lá fora

Corria incólume e indiferente à dor

Dos seus cabelos saíram tensas teias
Ressoando a felicidade perdida
Invadindo o ar e tornado-o pesado
Lento como a saudade que a consumia

Pela casa rasteja a canção da morte

Ecoando no seu corpo arqueado
Ampliando os ecos da felicidade
Que outrora pintou as paredes
E as janelas com a leveza do amor

Permanece a casa fora do tempo

E ela de dentro dela desligada
Do mundo que a esqueceu
Como se esquecem os cães
Que nos morderam uma única vez

Permanece Renata fora do tempo

Fundida com a terra húmida agora
Parte do seu corpo e do seu ser
Alimentando-se do meio amor
Que a condena a uma vida

De cem anos de solidão

O Grande