em 3 pontos
- Repete, ad nauseum, o rebuçado floco de neve. Que se destrua e que nada dela subsista. Apenas assim poderá o eternamente novo e desejado mundo de outrora, regressar luminoso, por entre o olvido de brumas austrais abandonadas a destinos alheios. Mate-se Cartago, os seus edifícios e as suas ruas. Mate-se também as suas estátuas, porque nos olham com olhos diferentes dos olhos das nossas estátuas depostas; as suas leis, porque são contrárias às leis do tempo deposto em que tudo era bom e cristalino; as suas palavras, porque não soam como as nossas palavras e com elas conjugam frases impossíveis de pintar a azul.
- Porque em Cartago mistura-se arroz com passas e tempera-se a papaia com pimenta. Em Cartago os elefantes vencem inamovíveis montanhas geladas apenas porque estão no seu caminho. Em Cartago a virtude está na mudança. Por isso apenas, deve ser destruída.
- Enquanto apela à destruição de Cartago porque se recusa ser branca como ele, um como os outros de bem, o rebuçado floco de neve teme, teme porque, bem fechado em si, esconde um recheio de groselha que lhe dá forma e ser.






