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Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –6–

villain / vilão

Aceitei. Pode até ser noite para lá das luzes criadoras deste ambiente de permanentes onze horas da manhã. Posso continuar a achar que é noite, mesmo estando perante o atarefado local, mas o que se come ao pequeno almoço, seja uma ou duas sandes, acompanhadas de leite, chá ou iogurte, caem bem a qualquer hora do dia. Na verdade, a refeição é a mesma: um pão com manteiga e uma chávena de leite às 8h00 é, claro está, pequeno almoço; um sumo de laranja com um bolito seco lá para as 11h00 é mata-bicho; uma meia de leite e uma torrada às 16h30 é lanche; e uma tosta de queijo com iogurte às 10h00 é, dizem os miúdos, lanchinho da noite; ceia, dirão os adultos. Ora, qualquer uma destas pequenas refeições pode ser tomada como pequeno almoço, carece apenas que se goste e queira, daí que, sendo para eles onze da manhã e para mim sei lá quantas da noite, um pequeno almoço, fosse ele isso ou mata-bicho ou lanchinho da noite ou ceia, me cairia muito bem.
Sirva-se. Tem ovos e salsichas, iogurtes e sumos de fruta, puré de batata e salada russa. Deste lado pode escolher entre bifes e robalos, mas poucos o fazem. Aqui tem pão, bolos secos e tostas. Na outra mesa, fruta fresca, frutos secos e café. Muito café. Olhei a sua cara e reparei então nas imensas olheiras envolvendo uns olhos raiados a vermelho vivo. Vocês passam muito tempo aqui, perguntei. Disse que não, que normalmente iam a casa mas que, ultimamente, têm-se debatido com um fluxo de trabalho anormal, o que os tem impedido sair da Ultra Mega Mais. Então, há quanto tempo dura este fluxo, perguntei. Na verdade, disse-me a colaboradora, não me lembro de qunado foi a última vez que fui a casa. Também não se lembrava da última vez que saiu à estrada. Na verdade, ficou muito perturbada quando se deu conta que não tinha qualquer memória fora daquele espaço, onde são sempre 11 horas da manhã. Ao aperceber-se do quanto a colaboradora ficou incomodada, um outro colaborador aproximou-se e, de forma maquinal mas polida, levou a colega por uma das portas com vidro. Minutos depois, um homem, envergando um fato, aproximou-se e, calmo mas molesto, perguntou-me o que fazia ali. Nada. Passava na estrada e vi a luz. Espere aqui, ordenou; vou chamar a polícia.
Não fiquei. Voltei à estrada de forma apressada, não querendo enfrentar a polícia, desfazer-me em razões que não tenho, em motivações que não sinto.

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Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –5–

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Acordei em sonhos perfumados