Textos

A razão da escrita

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Foram as correntes privadas de candelabros que pendiam das abóbadas do convento de Mafra que me fizeram escritor. Não foi a escrita dura sobre gente dura em Levantado do Chão, nem o humor velado, quase inglês, d’O Evangelho Segundo Jesus Cristo e de Caim, nem os amores de Blimunda e Baltazar, nem as almas que recolhiam. O que me fez escritor foi a janela que Saramago abriu em mim e me deixou ver aquelas correntes baloiçando, animadas por mãos criminosas, perdidas no silêncio do Templo, dizendo aos frades estremunhados: “foi por pouco, foi por pouco“.

Sem desrespeito pelos que sentem a perda do marido, do pai, do amigo, eu que não o conhecia senão pelo seu legado, não sinto pena nem dó. Rejubilo por saber que se extinguiu um homem que não viveu em vão. Este homem marcou, faz diferença no mundo; faz rir, faz chorar, despertou consciências, paixões e ódios; por ele e contra ele se lutou e luta. A morte é irrelevante à sua vida. Saramago vive.
A falta de sentido
Coisas há que a escola nunca ensinará

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