Complicado é ser simples
Difícil é seguir a via fácil
Eliminar o que é adereço
Concentrar-se no óbvio
Esperar apenas amanhã
Esperar sem parar hoje
Esperar sem esperar
Aguardar aguardando
Tremenda a complicação de ser
Um ser que se quer simples
Ricamente despojado da riqueza
Que empobrece a vida
Empurrado a mais ter
Impelido a conseguir
Tudo que houver e ser
Infeliz a cada conquista
Fulano morreu – Não somos nada
Param as horas e pensamos nas
Coisas simples que perdemos
Para logo as atirar para trás
Porque me puxam e empurram
Em tantas direcções sem rumo
Se há só um que quero seguir
Mesmo à frente e inacessível
Porque esperam de mim
Que seja mais que quero
Porque olham para mim
E vêem mais que sou
Quererei tão pouco?
Serei tão amorfo?
Ou é a preguiça que
Me abraça?
Não me vejo daqui a dez
Anos senão como agora
Este que sou e está
E dez anos mais velho