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Positivo/Negativo

Entre luz e sombra

Choveu. Choveu muito. Como não chovia há anos. O solo, ontem um lago ilusório, seco e escaldado, é hoje um campo verdejante, minado de flores amarelas e vermelhas. Térmitas recolhem o que outrora foram leões e zebras e hipopótamos e tecelões, em bocadinhos de infinito. Do carbono ao carbono; quão longe e quão perto estavam os inventores dos deuses.

Da sombra de uma árvore difusa, uma fila solitária de elefantes invade tropeando os sonhos das mais vorazes e torna-as castradoras da liberdade. Começam por castrar a voz que é só delas. Depois, castram a voz que é dos outros nas suas cabeças. Deixam de ouvir o que é seu e de todos, passam a ouvir o que o que lhes é dito ser seu; e nada mais. Um sussurro suplicante dos oprimidos tornados opressores, impulsiona as suas asas minúsculas em rasgos errantes, numa dispersão efémera da vontade de ser livre à custa de querer estar livre. Patas ancestrais seguem confiantes os caminhos conhecidos de vozes ecoadas na história. 

Olham-se, aladas e não aladas, em soslaio, enquanto afagam a sua donzelinha da moralidade; bicho colorido e fugaz, predador feérico e feroz. As asas fazem-nas crer que são donas do seu destino. As patas fazem-nas crer que nada as impede de alcançar o seu destino. Pólos opostos do mesmo ser, numa permanente atração, intocável e contraditória, indispostas, porque simplesmente não podem, a dar o passo, ou a bater a asa, em direção ao outro.

A escola do futuro como vista em 1900. Private Collection/Look and Learn/Bridgeman Images

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