in

Le gris, toujours le gris

paisagem urbana soturna

Por ter crescido a rudes golpes de Nick Cave e The Smiths, nunca gostei do sol e sempre temi a ausência dele. Ficava-me, de Walkman no bolso do anorak, pelos esquálidos dias cinzentos do Porto, esmoleres da minha alma de jovem, sempre a rondar os arredores de si mesma.

Confortado com o frio das paredes, das faces duras por trás de um cigarro, elevado pelo ruído surdo das rodas no piso chorado de nuvens infindáveis, vampiras de cor e de amor, deambulava com destino a um porto, ao qual nunca desejava chegar.

Tal como as sombras ausentes, seguia ausente das paredes nos passeios e nas ruas, no ruído escuro que faziam ao ser ruas, e as pessoas não se abrigavam em mim para fugir do sol, porque ninguém deseja ninguém, querendo apenas chegar a casa.

E eu queria apenas estar ali, sem sombra, sem sol, sem noite; uma extensão da rua cinzenta, do dia cinzento; cinzento eu, por fora e por dentro, exceção feita ao gritante amarelo do Walkman, livre da escolha e do tempo. Preso apenas ao limite da fita da cassete, anseava a segunda ronda para, assim livre, ser o que me faria perder.

Paisagem no Montana, Estados Unidos

O velho chefe e a jovem colona

Mãos pegam em laranja

Sobre a laranja na mão