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O homem da praia

Capa de "O Homem da Praia"

Há uma praia que visito sempre que posso. É uma praia sempre deserta, com um areal limpo e alisado pela cheia da maré. O ar está sempre fresco, a maresia aviva o espírito e faz o corpo corresponder com saltos pelas pedras que a baixa-mar expõe. Procuro caranguejos por debaixo das pedras, busco camarões, peixes e estrelas-do-mar nas poças límpidas e quietas. Tenho outra vez dez, doze anos, não mais. Tudo é novo e divertido; simples e catastrófico; fascinante e aventuroso. Na falta da trupe, invento tramas diabólicas de aventuras marinhas sem par. Investem devastadoras ondas monumentais, correm torrentes de cheia capazes de aniquilar a civilização tal qual a conhecemos; salvo populações inteiras dum destino atroz. No fim, partem os larotes e os caranguejos sem sequer agradecerem. Ingratos, amanhã brinco aos pescadores de arrasto. Nessa praia só o mar fala. A sua voz ressoa, troa aos ouvidos dos inoportunos que ousam tentar sobrepor a sua voz à da dele. A princípio pode parecer excessiva, difícil de suportar, mas logo o vozeirão cala fundo, tão fundo que se funde com a mente. Sara, suaviza, ecoa. Faz-se ecoado…

estátua grega, tronco, costas

o Herói

Parede com grafiti

Azul