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Sobre Portugal ser o melhor país do mundo

Banco de jardim

Há pouco, sentado num banco de jardim, pela primeira vez em semanas, meses, sei lá, percebi porque dizem os portugueses e dizem sobejamente os não portugueses, que Portugal é o melhor país do mundo.

É que, sentado num banco de jardim inundado pelo sol de março, a pessoa (como tão bem te referes a ti própria), fechando os olhos, deixa que o mesmo sol que inunda o mundo, mas que aqui e em março é especialmente doce e manso, a inunde a si própria, a toda a pessoa. Primeiro a sua pessoa física, a luz entra devagar, penetra a roupa, as carnes e depois os ossos. E aí chega à pessoa pessoa. Penetra-te a pessoa que és e vai tão longe como a que queres ser quando te levantares do banco de jardim inundado de sol. De tal forma que na pessoa nada mais caiba, nem vento, nem frio, nem calor, nem ruído de carros, nem insidiosos bichinhos pequeninos. De tal forma que na pessoa apenas o sol fica, nas pessoas que és, que fica feliz, assim inundada de felicidade. Quente, sem calor; aconchegada, sem sufocar; feliz, sem exultar; completa, apesar da pessoa ser pessoa.

É a vida toda, é o tempo todo, é tudo que se aprendeu esquecido num momento sublime de felicidade amena, plácida e reconfortante. Um torpor dos sentidos, um relevar das penas.

Porque aqui, agora, Portugal é o regresso a casa. À mãe; ao ventre da mãe.

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Projeto LONO

deserto mítico

Sobre esta felicidade