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Quem sou eu?

villain / vilão

Foi então que parti à procura
De segurança e sabedoria
Tremendo ao sentir a’margura
Que a nova ignorância trazia

Mas que mente esta que tortura
Que martela a todos os momentos
Que pinta de amena loucura
Os mais inocentes sentimentos

Mas quem sou eu afinal
Que jovem já não sou
Se o corpo dói e passa mal
Do tempo que por ele passou

Quem sou eu afinal
Se a alma vendi
Ao grande vendaval
Dos dias que perdi

Filho, irmão, pai, marido
Sou sempre de alguém
Haverá em mim escondido
Algo meu e de mais ninguém?

Algo mais que esta figura
Alta, magra e desligada
Que perde a compostura
Sempre que é acossada

Alguém a quem se possa
plantar um chavão que seja
Doutor da pasta grossa
Estúpido de fazer inveja

E perante o fim vizinho
Morre a vontade sem o saber
Ou segue um errante caminho
Até Deus ou até o que houver

Que fazer à vontade de mais ser
Quando os anos se vão escoando
Devo reprimir o desejo e me perder?
Devo levantar âncora e sair errando?

Se me perco, me encontram
Se me encontro, desapareço
Se fico, os de alguém terão
Se vou, só eu permaneço

um edifício mental, construído para reforçar a confusão e manter viva a chama

Written by Pedro

One Comment

  1. “Se me perco, me encontram
    Se me encontro, desapareço
    Se fico, os de alguém terão
    Se vou, só eu permaneço”

    Um poema interpretativo, mas de várias leituras… gostei!

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