Vou amar-te de forma ingente
No futuro e no presente
Vou amar-te como sempre o fiz
Dos pés à ponta do nariz
Ainda que a noite não tenha fim
Mesmo que te tenha longe de mim
Ainda que a luz do dia não chegue
Mesmo que o escuro não despegue
Vou dar todo o meu único corpo
Ao teu dado todo único corpo
E criar uma nova forma de vida
Que pelos dois não pode ser contida
E dessa nova vida que é o amor
Nasce vida aos pares em flor
Um menino de forma contida
Uma menina de face florida
E novo amor cresce e contagia
Multiplica-se alastra e procria
Já não são 3 nem 4 mas 18
Um canteiro de amor afoito
�A felicidade de o ver irado zangado
Com o que sabe que é feio e errado
O bom de vê-la compreender o que se diz
Num pequeno ser a perfeição do ser feliz
Em que fica então o amor original
Será que tanto tempo lhe fez mal
A trindade multiplicada e procriada
Perder-se-á de tão fina e espraiada
Nunca pois comunica o pensamento
Nunca pois ampara qualquer lamento
Jamais morrerá amor que é amizade
Feito de carne e alimentado de verdade
Imagino uma ramada a que perdi o pé
Sem saudades tolas do que já não é
Pois hoje os sarmentos delicados
Serão amanhã troncos enraizados
