Que o sol da tua boca
Seja o meu dia mais frio
Por temor a um calor vazio
Inflado de nuvem barroca
Que o céu do teu corpo
Seja o mais perto de mim
Amado amante sem fim
Despido, o desejo encorpo
Que a cor do teu sopro doce
Seja a vida nas minhas veias
De castelos móveis sem ameias
Sonhando que medo me roce
Que sejas para sempre agora
Como gaivota pairando em mim
Sem nunca se ir embora
Que sejas o eterno fim
A primeira e a última hora
Leve e densa, eu em ti e tu em mim

