Pedro Manuel Azevedo
Arquivo
More stories
-
Comentários fechados em De coração gelado
in TextosDe coração gelado
Naquele tempo, em que as rosas podiam ter todas as cores menos vermelho, em que todos os caminhos iam dar ao mesmo local, em que o sentido das palavras se multiplicava como folhas de relva nos campos que se estendiam ao infinito, ele caminhava em direção a estar perdido. O mundo seguia, alheio à sua existência, contando as cores das […] More
-
Comentários fechados em Ondas e bichos
in TextosOndas e bichos
(Ou, como o amor salva) More
-
Comentários fechados em Por não ser sendo
in TextosPor não ser sendo
(Uma vez mais, põe tu as putas das vírgulas) Sentado frente a um mar imaginário sem horizonte que o ligue e separe do céu azul cereja de um entardecer cénico como se este pertencesse a um mundo que ali se pinta e sem que dele faça parte do todo ou sequer de coisa alguma Feito de nada mais que memórias […] More
-
Caro Fantasista
Caro fantasistaDá-nos um baileQue nos deixe a vistaEnvolta em negro xaile Que torne fácil a vidaE doce a dor de a viverFaz do tempo da despedidaO melhor que pode acontecer Caro fantasistaCanta-nos uma cançãoQue nos coloque na pistaDe viver desprovidos de razão Canção que seja só respostasSem tempo para se perguntarQue a pesada dor nas costasSeja o teu penoso trovar […] More
-
Comentários fechados em Limites
in Notas Soltas, TextosLimites
Traçavamos aqui o limite ocidental e metafísico do nosso mundo de férias nos anos entre o fim da infância e os primeiros anos da juventude. Para lá da pedra, enorme e atávica, visível assim apenas na baixa-mar das marés vivas de setembro, estava muito mais que o imenso oceano azul. Estava o intangível, o limite da aventura, da imaginação e […] More
-
O Homem de metal
2025 – versão estendida Conto incluído no tomo II da coletânea “Porto – Uma Cidade com Alma”, publicado pela Chiado Books. Havia um homem que percorria a baixa da cidade de Bíblia na mão. Começava sempre no adro da igreja da Trindade, onde três vezes se benzia e três vezes vociferava contra deus. Completo o ritual, metia à rua do […] More
-
-
Comentários fechados em Cortar
in TextosCortar
Giro comoO desgosto te apanhaDevagar como Uma carícia que arranhaSem sentires a dorQue lentamente se entranha No lugar onde tinhas amorNasce um fel que corróiAté voares como um condor — No profundo céu onde te exilas — e arrogância da dor destilas O primeiro golpe não dóiA indiferença não te vai magoarO riso dos outros não te destrói Prossegues sempre […] More
-
Polvos
Rapaz, apanhava polvos nas pedras expostas pela maré baixa. Munido de uma vara feita por mim, com três ou quatro metros de comprimento, de acácia, toda ela descascada e alisada à mão. Numa das pontas, quatro anzóis grandes, equidistantes, apontados para a ponta oposta e ligeiramente angulados para a esquerda. Completava o instrumento, o isco, com duas sardinhas bem gordas, […] More
-
Sobre a lentidão
Pode argumentar-se que as velocíssimas sociedades ocidentais apreciam, ainda que sem o desejar verdadeiramente, o passo lento dos estados e das coisas que se apresentam a um ritmo tal que permite escrutinar, ou ser escrutinado, de uma forma global, ponderada, reflexiva e completa. Ou seja, onde a percepção e usufruto desses estados ou coisas, advenha, em primeiro lugar, da possibilidade […] More
-
Sobre cientistas e sábios
Há o que pertence ao universo, a uma realidade cósmica e absoluta, na consistência das suas leis, na imparcialidade da sua razão e na objetividade da sua aplicação — e há depois o que pertence aos homens, à realidade de cada um e às dinâmicas que os ligam. Se o que pertence ao primeiro, ainda que elegante, abrangente e primevo, […] More
-
Comentários fechados em Grrr outra vez
in PosiçãoGrrr outra vez
Zé está sentado no sofá. Fica triste por ver nas notícias o elevado risco que um homem tem ao tentar arranjar comida para a família de ser alvejado e muda de canal. Ana faz beicinho ao ver as crianças emaciadas e cadavéricas e passa o polegar para cima. André passa na rua e, ao sentir um nó na garganta perante […] More
-
Brrrr
Fica só e frio o ser que clamaMudo o toque que lhe adorneA vida vazia e sem chama Frio de frieza fria e disformePor viver exilado entre a genteSem abraço que o enforme Dizer de si próprio contenteQuando lhe chove no serE ter por ruidosa a mente E dos próximos se perderPor se sentir debaixo da móSentindo a vontade desfazer […] More
-
Parafraseando Dag Hammarskjöld
“Quando nasceste, todos riam e apenas tu choravas”.Quando morreres, seja que nem tu chores. More
-
Comentários fechados em Nobel Peace prize for Francesca Albanese and Gaza Doctors
in NewsNobel Peace prize for Francesca Albanese and Gaza Doctors
It’s time to choose. Who would you like to see receive the Nobel Peace Prize? I know it’s difficult to choose between a woman waging an unequal fight in defense of a people or a despicable psychopath, insensitive to anything but self-interest. Personally, I’ve made my choice. Make yours. Do something. Act with the weapons you have. More
-
Comentários fechados em Nobel da Paz para Francesca Albanese e médicos em Gaza
in Posição, RecomendaçãoNobel da Paz para Francesca Albanese e médicos em Gaza
É tempo de escolher Quem gostarias de ver receber o Nobel da Paz? Eu sei que é difícil escolher entre uma mulher que trava uma luta desigual em defesa de um povo ou um psicopata desprezível, insensível a tudo que não seja proveito próprio. Pessoalmente, fiz a minha escolha. Faz a tua. Faz alguma coisa. Age com as armas que […] More
-
Sobre o fardo de pensar
Do fardo de pensar me quero libertar, pois dele me desprender faz-me perenecer*. Ser árvore milenar que existe sem remar, o rio da idade num ser sem identidade. Se penso não existo, porque pensando a vida, o caminho trilhado pelo pensamento remete para a insignificância do ser ao ver-se a vida como unicamente imaginada, num sonho cósmico, sem significado ou […] More
-
Comentários fechados em Encontro com um Cão andaluz
in Cartas do Vampiro, TextosEncontro com um Cão andaluz
Señor Buñuel; Señor Dali, Há dias em que me sinto um cão andaluz. O verão, o cheiro a fim de festa, a temperatura, e dou por mim deitado na praia, em frente a um mar que nada me diz. Aí vejo passar pessoas, ondas e gaivotas com igual desinteresse. Apenas se uma leva na mão um pão com chouriço ou […] More
-
-
Finalmente livre
Estou cego de tanto ver, Confinado por tanta liberdadeNuma pradaria imensa que me obriga a olhar para baixoSempre para baixo, Ofuscado pela ausência da solitudeAnseio por estar só, E verAnseio que me deixem, E escutarSem os grilhões das imagens em cascata, Igual e constanteSem o seu troar indistinto, Sufocante algoz da escolhaTudo o que me sobra do universo me pede […] More
-
Comentários fechados em No reason / Sem razão
in Notas Soltas, TextosNo reason / Sem razão
-
Comentários fechados em Sonho e identidade
in Cartas do Vampiro, TextosSonho e identidade
Saltar da cama. Finalmente entrar no dia pelo qual espera há horas. Algo o faz velar, desperto mas inerte; acompanhar os minutos e as horas no despertador, qual rapace, desperta mas toldada pelo capuz da noite que agora dá lugar, gradualmente, primeiro à luz e depois ao dia. Levantando-se, retoma a vida. Aquela que se diz necessária. A que resulta […] More
-
Comentários fechados em O arquivista de impossíveis
in TextosO arquivista de impossíveis
Cairós tinha no gesto e no olhar uma calma que resultava não apenas de si, nem do que aparentava aos outros, mas antes de uma simbiose única entre si e o universo. Tudo nele se conjugava na proporção e no tempo precisos, porquanto agia como se todos os seus gestos, palavras, atitudes e comportamentos fossem o gesto, a palavra, a […] More
-






















