More stories

  • Coração feito de pétalas
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    De coração gelado

    Naquele tempo, em que as rosas podiam ter todas as cores menos vermelho, em que todos os caminhos iam dar ao mesmo local, em que o sentido das palavras se multiplicava como folhas de relva nos campos que se estendiam ao infinito, ele caminhava em direção a estar perdido. O mundo seguia, alheio à sua existência, contando as cores das […] More

  • Homem deitado no chão
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    Por não ser sendo

    (Uma vez mais, põe tu as putas das vírgulas) Sentado frente a um mar imaginário sem horizonte que o ligue e separe do céu azul cereja de um entardecer cénico como se este pertencesse a um mundo que ali se pinta e sem que dele faça parte do todo ou sequer de coisa alguma Feito de nada mais que memórias […] More

  • Criança em piscina
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    Caro Fantasista

    Caro fantasistaDá-nos um baileQue nos deixe a vistaEnvolta em negro xaile Que torne fácil a vidaE doce a dor de a viverFaz do tempo da despedidaO melhor que pode acontecer Caro fantasistaCanta-nos uma cançãoQue nos coloque na pistaDe viver desprovidos de razão Canção que seja só respostasSem tempo para se perguntarQue a pesada dor nas costasSeja o teu penoso trovar […] More

  • Vista sobre o mar
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    Limites

    Traçavamos aqui o limite ocidental e metafísico do nosso mundo de férias nos anos entre o fim da infância e os primeiros anos da juventude. Para lá da pedra, enorme e atávica, visível assim apenas na baixa-mar das marés vivas de setembro, estava muito mais que o imenso oceano azul. Estava o intangível, o limite da aventura, da imaginação e […] More

  • Rosto de homem idoso
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    O Homem de metal

    2025 – versão estendida Conto incluído no tomo II da coletânea “Porto – Uma Cidade com Alma”, publicado pela Chiado Books. Havia um homem que percorria a baixa da cidade de Bíblia na mão. Começava sempre no adro da igreja da Trindade, onde três vezes se benzia e três vezes vociferava contra deus. Completo o ritual, metia à rua do […] More

  • Ponte perdida em nevoeiro
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    Fuga

    Onde te escondes quando é de ti que foges? More

  • Mãos ensanguentadas com vidro quebrado
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    Cortar

    Giro comoO desgosto te apanhaDevagar como Uma carícia que arranhaSem sentires a dorQue lentamente se entranha No lugar onde tinhas amorNasce um fel que corróiAté voares como um condor — No profundo céu onde te exilas — e arrogância da dor destilas O primeiro golpe não dóiA indiferença não te vai magoarO riso dos outros não te destrói Prossegues sempre […] More

  • Polvo
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    Polvos

    Rapaz, apanhava polvos nas pedras expostas pela maré baixa. Munido de uma vara feita por mim, com três ou quatro metros de comprimento, de acácia, toda ela descascada e alisada à mão. Numa das pontas, quatro anzóis grandes, equidistantes, apontados para a ponta oposta e ligeiramente angulados para a esquerda. Completava o instrumento, o isco, com duas sardinhas bem gordas, […] More

  • Flores cor-de-laranja
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    Sobre a lentidão

    Pode argumentar-se que as velocíssimas sociedades ocidentais apreciam, ainda que sem o desejar verdadeiramente, o passo lento dos estados e das coisas que se apresentam a um ritmo tal que permite escrutinar, ou ser escrutinado, de uma forma global, ponderada, reflexiva e completa. Ou seja, onde a percepção e usufruto desses estados ou coisas, advenha, em primeiro lugar, da possibilidade […] More

  • pelo buraco da gruta
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    Sobre cientistas e sábios

    Há o que pertence ao universo, a uma realidade cósmica e absoluta, na consistência das suas leis, na imparcialidade da sua razão e na objetividade da sua aplicação — e há depois o que pertence aos homens, à realidade de cada um e às dinâmicas que os ligam. Se o que pertence ao primeiro, ainda que elegante, abrangente e primevo, […] More

  • O leopardo não é mau, mas tememo-lo.
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    Grrr outra vez

    Zé está sentado no sofá. Fica triste por ver nas notícias o elevado risco que um homem tem ao tentar arranjar comida para a família de ser alvejado e muda de canal. Ana faz beicinho ao ver as crianças emaciadas e cadavéricas e passa o polegar para cima. André passa na rua e, ao sentir um nó na garganta perante […] More

  • árvores mortas
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    Brrrr

    Fica só e frio o ser que clamaMudo o toque que lhe adorneA vida vazia e sem chama Frio de frieza fria e disformePor viver exilado entre a genteSem abraço que o enforme Dizer de si próprio contenteQuando lhe chove no serE ter por ruidosa a mente E dos próximos se perderPor se sentir debaixo da móSentindo a vontade desfazer […] More

  • Francesca Albanese. Foto: www.heute.at.
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    Nobel Peace prize for Francesca Albanese and Gaza Doctors

    It’s time to choose. Who would you like to see receive the Nobel Peace Prize? I know it’s difficult to choose between a woman waging an unequal fight in defense of a people or a despicable psychopath, insensitive to anything but self-interest. Personally, I’ve made my choice. Make yours. Do something. Act with the weapons you have. More

  • Francesca Albanese. Foto: www.heute.at.
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    Nobel da Paz para Francesca Albanese e médicos em Gaza

    É tempo de escolher Quem gostarias de ver receber o Nobel da Paz? Eu sei que é difícil escolher entre uma mulher que trava uma luta desigual em defesa de um povo ou um psicopata desprezível, insensível a tudo que não seja proveito próprio. Pessoalmente, fiz a minha escolha. Faz a tua. Faz alguma coisa. Age com as armas que […] More

  • Mãos pegam em laranja
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    Sobre o fardo de pensar

    Do fardo de pensar me quero libertar, pois dele me desprender faz-me perenecer*. Ser árvore milenar que existe sem remar, o rio da idade num ser sem identidade. Se penso não existo, porque pensando a vida, o caminho trilhado pelo pensamento remete para a insignificância do ser ao ver-se a vida como unicamente imaginada, num sonho cósmico, sem significado ou […] More

  • Um cão andaluz ma praia
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    Encontro com um Cão andaluz

    Señor Buñuel; Señor Dali, Há dias em que me sinto um cão andaluz. O verão, o cheiro a fim de festa, a temperatura, e dou por mim deitado na praia, em frente a um mar que nada me diz. Aí vejo passar pessoas, ondas e gaivotas com igual desinteresse. Apenas se uma leva na mão um pão com chouriço ou […] More

  • Homem encolhido no chão
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    Finalmente livre

    Estou cego de tanto ver, Confinado por tanta liberdadeNuma pradaria imensa que me obriga a olhar para baixoSempre para baixo, Ofuscado pela ausência da solitudeAnseio por estar só, E verAnseio que me deixem, E escutarSem os grilhões das imagens em cascata, Igual e constanteSem o seu troar indistinto, Sufocante algoz da escolhaTudo o que me sobra do universo me pede […] More

  • Silhueta sentada
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    Sonho e identidade

    Saltar da cama. Finalmente entrar no dia pelo qual espera há horas. Algo o faz velar, desperto mas inerte; acompanhar os minutos e as horas no despertador, qual rapace, desperta mas toldada pelo capuz da noite que agora dá lugar, gradualmente, primeiro à luz e depois ao dia. Levantando-se, retoma a vida. Aquela que se diz necessária. A que resulta […] More

  • Mãos de relojoeiro
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    O arquivista de impossíveis

    Cairós tinha no gesto e no olhar uma calma que resultava não apenas de si, nem do que aparentava aos outros, mas antes de uma simbiose única entre si e o universo. Tudo nele se conjugava na proporção e no tempo precisos, porquanto agia como se todos os seus gestos, palavras, atitudes e comportamentos fossem o gesto, a palavra, a […] More

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