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Quem sou eu?

Foi então que parti à procura
De segurança e sabedoria
Tremendo ao sentir a’margura
Que a nova ignorância trazia

Mas que mente esta que tortura
Que martela a todos os momentos
Que pinta de amena loucura
Os mais inocentes sentimentos

Mas quem sou eu afinal
Que jovem já não sou
Se o corpo dói e passa mal
Do tempo que por ele passou

Quem sou eu afinal
Se a alma vendi
Ao grande vendaval
Dos dias que perdi

Filho, irmão, pai, marido
Sou sempre de alguém
Haverá em mim escondido
Algo meu e de mais ninguém?

Algo mais que esta figura
Alta, magra e desligada
Que perde a compostura
Sempre que é acossada

Alguém a quem se possa
plantar um chavão que seja
Doutor da pasta grossa
Estúpido de fazer inveja

E perante o fim vizinho
Morre a vontade sem o saber
Ou segue um errante caminho
Até Deus ou até o que houver

Que fazer à vontade de mais ser
Quando os anos se vão escoando
Devo reprimir o desejo e me perder?
Devo levantar âncora e sair errando?

Se me perco, me encontram
Se me encontro, desapareço
Se fico, os de alguém terão
Se vou, só eu permaneço

um edifício mental, construído para reforçar a confusão e manter viva a chama
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Culottes

Carta a um padre