Naquele tempo, em que as rosas podiam ter todas as cores menos vermelho, em que todos os caminhos iam dar ao mesmo local, em que o sentido das palavras se multiplicava como folhas de relva nos campos que se estendiam ao infinito, ele caminhava em direção a estar perdido. O mundo seguia, alheio à sua existência, contando as cores das rosas, trilhando todos os caminhos para o mesmo local e pastando os sentidos das palavras nos campos.
Naquele tempo, por se sentir numa bolha mediática, por não se reconhecer no mundo, gelara-se-lhe o coração, e nele, fervera-lhe o sangue que o habitava na esperança das rosas vermelhas, dos caminhos que ligam a todo o lado, no sentido individual de cada palavra. Segue então vazio, animado pela inevitabilidade da morte, pelo fim do tempo, pelo prazer de perceber que se nada faz sentido, tudo merece o seu amor.
Naquele tempo, ainda que de coração gelado, sente, ama, vive. Naquele tempo, nunca desiste, porque, se não para si, haverá, para outros, sempre um outro tempo.
