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De coração gelado

Coração feito de pétalas

Naquele tempo, em que as rosas podiam ter todas as cores menos vermelho, em que todos os caminhos iam dar ao mesmo local, em que o sentido das palavras se multiplicava como folhas de relva nos campos que se estendiam ao infinito, ele caminhava em direção a estar perdido. O mundo seguia, alheio à sua existência, contando as cores das rosas, trilhando todos os caminhos para o mesmo local e pastando os sentidos das palavras nos campos.

Naquele tempo, por se sentir numa bolha mediática, por não se reconhecer no mundo, gelara-se-lhe o coração, e nele, fervera-lhe o sangue que o habitava na esperança das rosas vermelhas, dos caminhos que ligam a todo o lado, no sentido individual de cada palavra. Segue então vazio, animado pela inevitabilidade da morte, pelo fim do tempo, pelo prazer de perceber que se nada faz sentido, tudo merece o seu amor.

Naquele tempo, ainda que de coração gelado, sente, ama, vive. Naquele tempo, nunca desiste, porque, se não para si, haverá, para outros, sempre um outro tempo.

Gaivota encarando de frente

Ondas e bichos