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C de Camarada 25

Cravos vermelhos

Da orla do planalto da sua verdade, olhava a planície da incerteza que se estendia ao infinito, quilómetros abaixo dos seus pés, cravados no chão e ensanguentados de barro vermelho. Trazia numa das mãos a cabeça mirrada, muito para além do seu tamanho original, de um dragão outrora temível e, na outra, a espada, imaculada mas igualmente ferida de morte, que a cortou. Ajoujado pelo extraordinário do feito, começava a duvidar do que o tinha levado ali e mesmo se não fora, ele mesmo, autor e executor do precipício da narrativa que despontaria. Tal como o acontecimento a que dera marcha, sentia-se extraordinário. Perder-se-ia na erosão do tempo; primeiro o seu corpo, depois a sua memória, até nada dele restar senão fragmentos, perdidos nas bocas e nos livros, do diz-que-disse da história daquele momento no planalto.

Momento, onde todas as expectativas eram plausíveis; todos os sonhos realizáveis; todos nomes começavam com um C de Camarada.

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